quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada. Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro."

Clarice Lispector, tinha que ser.
Um dia como outro qualquer.
Compromissos agendados e horários marcados.
O relógio gritava: seis e meia!
Bem-vindo de volta, mundo real.
Ao levantar da cama sua cabeça ainda girava.
Apenas se arrumou. Sentou-se a mesa, procurando os cereais mergulhados no leite.
Conforme ia levando-os a boca,
era engolida por mais um dia de rotina e mesmice.
Enfim saiu de casa. Atrasada.
(Aliás, os atrasos também já lhe eram rotineiros)
Era sempre assim: acordar, vestir, comer, sair, correr.
Enfrentar o trânsito, enfrentar o sono, enfrentar o tédio.
O ônibus já se aproximava do ponto.
Parada. Desembarque.
Caminhou com seus pensamentos pelas ruas frias e sozinhas.
Um turbilhão de coisas percorreu sua cabeça num único momento. Estranhou.
Temeu estar ficando louca.
Seria assim que a insanidade toma conta das pessoas?
Parada, numa calçada qualquer?
Não conseguia parar de pensar.
Tanta coisa passou pela sua cabeça que levou,
involuntariamente, as mãos às orelhas, numa tentativa de
cessar a confusão ensurdecedora.
Foi ai que aconteceu.
Parada, naquela rua, quebrou seus
pensamentos e silenciou sua rotina.
Calçada: a espera das ruas.
Ali, imóvel na calçada da vida, esbarrei com ela numa manhã fria. Tropecei em mim mesma.
“And I say humm, hello, little girl”.
A.M.